Revista Veja denuncia Unic por fraudes no Fies; grupo Kroton seria maior beneficiário em esquemas

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Em edição veiculada no domingo (22), a revista Veja destacou uma série de fraudes no Programa de Financiamento do Ensino Superior (Fies) envolvendo principalmente o grupo educacional Kroton, ao qual pertence a Universidade de Cuiabá (Unic). A instituição, maior do Estado em âmbito privado, seria uma das beneficiadas com as irregularidades e cobranças impostas aos alunos, divididos entre os 120 campus universitários espalhados pelo Brasil.

Em Mato Grosso, além da Unic, também dependem do dinheiro federal recebido pela Kroton a Universidades Cândido Rondon (Unirondon) e Anhanguera.  A reportagem, intitulada como “Virou Farra”, cita um faturamento que chega a 2,5 bilhões e em superfaturamento do preço das mensalidades. Além disso, diversas instituições realizariam cobranças extras, além das mensalidades, que são 100% financiadas pelo programa do governo.

Confira trecho da matéria que cita irregularidades na instituição:

Com base na Lei de Aceso á informação, Veja solicitou o valor do semestre de três faculdades do grupo Kroton em 2015 e 2016. Descobriu que o primeiro semestre das faculdades tinha preços despropositado. O semestre de ingresso no curso de educação física da Universidade de Cuiabá em 2015, por exemplo, saía por astronômicos 12552 reais. Mas, curiosamente, o valor do semestre de ingresso no ano seguinte caía abruptamente para 4908 reais. O que explicaria tamanha redução? É simples.

Capa da edição 2514 da Revista Veja, veículada no domingo, 22 de janeiro. 
Em 2015, o Fies pediu às universidades que informassem o preço dos seus semestre de ingresso para que os alunos pudessem escolher os mais em conta. As instituições foram pegas de surpresa, com os preços nas alturas. A prosaica exigência de transparência do Fies derrubou os preços em 2016. Mas a malandragem não para por aí. Logo as instituições perceberam que o Fies estava pedindo a divulgação do valor apenas do semestre de ingresso – e não dos demais. Resultado: entrar no curso de educação física de Cuiabá custava 4908 reais, mas já no semestre seguinte o valor subiu para 7248 reais. No terceiro semestre, era de 8630 – e assim por diante.

O mesmíssimo procedimento foi observado no curso de veterinária da Faculdade de Ciências Agrárias e da Saúde, na Bahia, e no curso de odontologia da Faculdade de Macapá. Questionado o Kroton diz que houve “uma falha” no sistema do governa. Ou seja: o governo informou que os alunos pagaram 12552 reais na educação física de Cuiabá, mas, na realidade, ninguém pagou isso tudo. O curioso é que “erro” do governo foi linear – ocorreu nas três instituições do grupo consultadas pela reportagem de Veja.

Assessoria Kroton

Procurada, a assessoria da Kroton informou ao que a empresa “está integralmente alinhada com o cumprimento da legislação educacional brasileira e com as regras do financiamento estudantil e ainda esclarece que é periodicamente submetida a auditorias do Ministério da Educação em relação ao FIES.”

Com relação a diferenciação dos preços das mensalidades escolares para alunos FIES e alunos não FIES, a Companhia informa que o valor do encargo educacional é exatamente o mesmo. “Conforme dispõe a legislação aplicável (ressalvado o desconto obrigatório de 5% no encargo educacional do aluno FIES para alunos ingressantes a partir de 2015), e que o valor das mensalidades, inclusive os reajustes anuais, observa os dispositivos da Lei nº 9.870/99 (“Lei de Mensalidades Escolares”).”

Em documento divulgado nesta segunda-feira (23), o grupo elaborou uma análise realizada nas aproximadamente 16.000 turmas das instituições de ensino presencial. O material reitera “o integral cumprimento da legislação educacional brasileira e das regras do FIES”, e pode ser visto na íntegra aqui.

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