Festejo do dia do Padroeiro Santo Amaro de Ipitanga

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As expressões religiosas, o misticismo e a fé são traços fortes da alma humana na cultura de Lauro de Freitas. Por sermos um País de tradição e cultura cristã, tendo os Padres Jesuítas como os principais mentores da propagação desta fé, nos primórdios de nossa sociedade, muitos destes traços podem ser observados ainda hoje em nossos costumes.
Segundo o Historiador Francisco de Senna, em palestra proferida pela passagem dos 30 anos de emancipação municipal, inicialmente os Jesuítas fundaram nesta margem de cá do rio Joanes a aldeia de São João, logo após a chegada da Companhia de Jesus às terras brasileiras, entre os anos de 1558 e 1578, ano provável de fundação da nova freguesia, com orago dedicado a Santo Amaro de Ipitanga (Água vermelha em Tupi).
O Santo possui um hino próprio, adaptado em outra melodia composta por Dona Jozelita, já falecida. Existem na Igreja Matriz duas imagens sacras do monge Beneditino, em diferentes tamanhos. A imagem maior, obra primorosa do Barroco da Arte Sacra, fica no nicho do altar principal. Os mais tradicionais devotos tratam respeitosamente o santo de “O velho”, em sinal de respeito ancestral. Há uma lenda sobre as peripécias de Santo Amaro correndo de boca em boca na cidade: contam-nos os Paroquianos que, em tempos passados, mudou-se a posição da imagem, voltada para o rio Ipitanga, colocando-a voltada para a praça. Contrariando essa mudança, o Santo aparecia voltado à posição original!…
 
É sempre bom lembrar que, no passado, a irmandade do S. S. de Santo Amaro, composta por leigos e fiéis agregados a esta irmandade, organizava festas, procissões, novenas e administrava os bens patrimoniais da Igreja, dentre outras atribuições. Esta irmandade, que hoje não mais existe, era composta por homens influentes e rivalizava-se com outra irmandade igualmente destacada, a Irmandade de São Miguel Arcanjo, que para o pesar de todos teve furtada a sua imagem na Matriz em 1974, até hoje não recuperada.Outras devoções também exerceram grande influência na vida espiritual da comunidade. A devoção a Nossa Senhora das Dores, bela imagem de roca existente na Igreja Matriz, tem seu próprio altar. No passado, a devota Maria L. Pires foi sepultada em jazigo perpétuo aos pés da Santa. Nossa Senhora do Carmo também foi uma devoção bastante presente no coração dos fiéis, em especial as mulheres. Festejada a 16 de julho, já teve nos áureos tempos. Em sua irmandade de fiéis, senhoras como D. Gersonita Angélica da Silva, dentre outras, que organizavam muito animadas noites em seu louvor.
Outra irmandade feminina era a do Sagrado Coração de Jesus, formada por idosas senhoras da comunidade laurofreitense. Usam fitas alusivas à sua devoção, de cor vermelha, orgulhosamente colocadas no pescoço. Além de freqüentarem e participarem das missas na matriz, elas desenvolvem outras atividades ligadas à fé: círculo de orações, visita de caráter humanitário a pessoas enfermas, orações por graças alcançadas, etc…
Além das irmandades femininas. As masculinas também já tiveram participação destacada na sociedade local. As irmandades do Santíssimo Sacramento de Santo Amaro do Ipitanga e de São Miguel Arcanjo desempenharam papéis sociais importantes, como suporte para o catolicismo. A Irmandade do S.S. de Santo Amaro era formada por homens. Na festa do padroeiro, encarregavam-se de preparar a animação e dar brilho à festa. Na procissão, vestidos a caráter, conduziam o andor do Padroeiro, cuidavam dos funerais dos seus membros, das missas e ficavam responsáveis pela administração dos bens patrimoniais da Paróquia (terras foreiras à Igreja).
A outra irmandade de São Miguel Arcanjo rivalizava-se com a do Padroeiro nos áureos tempos. As transformações verificadas na estrutura social e o crescimento e ascensão de outros cultos e religiões na cidade, além de outros fatores, determinaram o fim desses grupos, restando hoje somente a Irmandade do Sagrado Coração de Jesus, mas mesmo assim, bem aquém do esplendor de outrora.
Outras festas religiosas também assumiam destacada importância em Lauro de Freitas. A Festa de Santa Luzia (Virgem Mártir de Siracusa) foi, em tempos remotos, uma festa de grande apelo popular. No dia 13 de dezembro, na Igreja Matriz, a festa era animada, vinham romeiros de Itapuã, em caravanas, com a imagem da Santa, rezavam missa e depois caiam no samba de roda.

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